1ª edição do Thermos evoca passagem de escritores célebres pelas Taipas

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A 1ª edição do Thermos - Encontros Literários das Caldas das Taipas vai preencher os últimos dias de Maio, com um programa que contará com a participação de destacadas figuras do panorama literário e artístico, fazendo da água uma força para evocar a passagem de célebres escritores pela vila.

Envolvidos na organização do evento, o Município de Guimarães, a Junta de Freguesia de Caldelas e a Taipas Termal pretendem recuperar o imaginário termalista, escolhendo a denominação de Thermos para os encontros literários, "por analogia ao antigo grafismo Thermas e a ligação ao conceito de termo enquanto sinónimo de palavra que permanece e se inscreve em livros de termos.

Em conferência de imprensa realizada no passado sábado, o Director Artístico salientou que a ideia do projecto surgiu quando estava na Assembleia da República ao lado de Luís Soares que "dizia que as Taipas era uma vila com historial literário e que isso ainda não tinha sido trabalhado", referindo-se à passagem de Camilo Castelo Branco, Ferreira de Castro e Amadeo de Souza Cardoso. “O professor António José Oliveira e o Luís Mota têm sido peças fundamentais para levar este Thermos para a frente. Disseram-me que o Ferreira de Castro tinha, por hábito, na sua permanência por cá, fazer tertúlias literárias no hotel", contextualizou Pompeu Martins, advertindo que as secções do programa remetem para o imaginário termalismo. "As Conversas de Agulheta remetem para os banhos de agulheta, banhos mais fortes, com mais energia. Associamos isso à literatura mais política e de combate. Depois teremos Conversas de Vichy, associadas aos banhos de Vichy, em que abordamos a literatura mais centrada nos sentidos. Nas Conversas de Vapor, jogamos com o enigma em torno do vapor, dos nevoeiros, mas também do vapor enquanto viagem, enquanto barco, enquanto partida. Enquadrámos essas conversas com literaturas de outras proveniências, com escritores estrangeiros”, descreveu, ao sublinhar ainda a iniciativa «Escritor em estância», na primeira edição confiada a Dulce Maria Cardoso. "Ela ficará em estância porque vamos assinalar a presença dela junto ao coreto. Naqueles bancos, vamos instalar códigos QR para ouvir pela voz dela ou por algum actor excertos da obra, para que as pessoas, durante um ano, tenham acesso à sua obra”.

O Presidente da Junta de Caldelas, Luís Soares, vincou a importância do evento transformar-se "num encontro para a comunidade", envolvendo as pessoas de diferentes gerações e as escolas. "A nossa companhia residente, ATRAMA, que nasceu do trabalho do Município, do teatro amador, que tem tido um trabalho extraordinário. Vamos precisar do apoio da Câmara, não financeiro, mas criativo. Um painel será tratado pela Ana Gil, painel na Praça Frei Cristóvão dos Reis, onde deveria ter sido colocado o painel na casa que infelizmente já não existe. Foi um painel mandado fazer por Ferreira de Castro em homenagem a Camilo. Nunca foi colocado e queremos colocá-lo. Queremos colocar uma versão contemporânea colocada pela Ana para assinalar a passagem de Camilo”, afirmou.

“Depois, numa segunda peça, junto ao busto de Ferreira de Castro oferecido pelo CAR. Uma peça que expresse um dos textos mais bonitos sobre a nossa vila, escrito por Ferreira de Castro para o Notícias de Guimarães, que muito poucas pessoas conhecem hoje. Precisa de ser dado a conhecer à comunidade”, continuou Luís Soares.

Na qualidade de Presidente da Taipas Turitermas, Sofia Ferreira indicou que as termas são "património de toda a região, com um valor excecional para o Município de Guimarães", contribuindo a componente cultural para reforçar o seu envolvimento com a comunidade.

O Vereador da cultura realçou a singularidade das Caldas das Taipas no concelho de Guimarães. "É daqueles territórios que acreditam que, através da cultura, transformamos a população e as comunidades. O projecto aqui desenvolvido faz o mesmo que a água faz: envolve-se pelos poros, ajuda a desenhar o território", afirmou Paulo Lopes Silva, ao recordar que "cada personalidade que por cá passou por via do termalismo marcou a terra e ajudou a desenvolver-se para ter um espírito crítico e um sentido de desenvolvimento distinto do que se vê noutros territórios". 

Arte e literatura com influência de banhos termais

Nesta primeira edição, marcada para os dias 30 e 31 de Maio, Dulce Maria Cardoso será a "Escritora em Estância", distribuindo-se o programa pelas "Conversas de Agulheta", a cargo de Luís Filipe Castro Mendes, as "Conversas de Vichy", com Cláudia Lucas Chéu e as "Conversas a Vapor", com a colombiana Laura Menindueta. O evento conta o envolvimento de mais dois artistas: a ilustradora Ana Gil e o poeta Luís Aguiar.
O imaginário termalista vai reflectir-se em toda a estrutura do evento, com actividades em diferentes espaços da vila, como Banhos Novos (onde se inscrevem acções direccionadas aos mais novos), Encontros no Buvette (onde decorrerão iniciativas de debate e de mostra artística), Banhos Velhos (onde serão realizadas exposições temáticas), Thermalismos que terão expressão em Conversas de Agulheta, de Vichy e de Vapor por analogia às três tipologias de banhos termais, Conferência das Thermas - o Escritor em estância, onde se revelará o autor que ficará durante um ano a ecoar no território como se viesse em estância para a nossa vila.
No dia 30, nos Banhos Novos, realizam-se oficinas de escrita e ilustração (11h30), os Encontros no Buvette (14h30) e apresentação dos trabalhos resultantes das residências artísticas de Ana Gil e Luís Aguiar. Pelas 16h00, será inaugurado o painel alusivo à presença de Ferreira de Castro nas Caldas das Taipas, junto ao seu busto, seguindo-se às 16h30 a inauguração do painel alusivo à presença de Camilo Castelo Branco nas Caldas das Taipas (junto à casa onde Camilo esteve hospedado). Às 17h30, está prevista a iniciativa "Cultura e Território - Desafios Locais" e às 18h00 o "Clamor", numa leitura dramatizada.
No dia 31, no edifício das termas, a partir das 10h00, haverá as "Conversas de Agulheta", as "Conversas de Vichy" e as "Conversas de Vapor". À tarde, pelas 15h30, a escritora Dulce Maria Cardoso será a interveniente na Conferência das Thermas. Os encontros vão terminar com a "hora dos poetas" (17h00), canções com palavra (18h30) e a interpretação de "O Morgado de Fafe em Lisboa - Grupo de Teatro Passos de Alegria" (21h30), no auditório dos Bombeiros Voluntários das Taipas.


“Tem sido uma descoberta interessante o modo como a água é um elemento primordial nesta terra. Acabo por ter uma reinterpretação da frase de Ferreira de Castro. Chamo à residência “A terra onde a água desenha”. Um dos meios preferidos de expressão artística é a aguarela. Portanto, a água é, uma vez mais, elemento primordial para a minha arte. A água está ligada às Caldas das Taipas”.
Ana Gil, ilustradora

"As Taipas também são minhas. Vou assumir a terra como sendo minha e vou tentar encontrar um fulgor que possa passar despercebido a quem cá vive. Não estou mecanizado. Sou alguém de fora que consegue contemplar algo que possa passar despercebido. Este tipo de eventos é de extrema importância. A cultura é, de facto, a nossa primeira identidade. Sem cultura, temos uma parte que morre. Não podemos ser só objetos de trabalho. Temos também de ser objetos culturais”.
Luís Aguiar, poeta

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